
Todos nós sabemos que o Brasil é deficitário em infraestrutura. E o país paga muito caro por isso, todos os dias..
Segundo o estudo anual "Custos Logísticos e o Impacto nas Empresas Brasileiras", do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), os custos logísticos do Brasil alcançaram R$ 1,96 trilhão em 2025 — o equivalente a 15,5% do PIB. Esse é o patamar mais alto da série histórica, mantido pelo quarto ano consecutivo acima de 15% do PIB.
Nos Estados Unidos — país tomado como comparação por ter dimensões comparáveis às do Brasil — o mesmo custo representa apenas 8,8% do PIB, segundo o mesmo levantamento do ILOS.
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A diferença de cerca de 6,7 pontos percentuais significa que as empresas brasileiras já partem de uma posição estruturalmente mais cara para competir no mercado internacional — antes mesmo de qualquer decisão de gestão. É impossível competir de igual para igual quando, de largada, perdemos quase o dobro dos concorrentes americanos.
O gargalo não é conjuntural: é estrutural. O peso da logística sobre a economia subiu de 10,4% do PIB em 2014 para 15,5% em 2025, aponta o ILOS. Nos últimos dez anos, o país passou a transportar 25% mais carga praticamente com a mesma infraestrutura — a pressão sobre os custos era inevitável.
Alguns setores fundamentais da economia são profundamente prejudicados pela logística. Segundo a pesquisa da Fundação Dom Cabral — a referência mais recente disponível por setor — a mineração gasta 14,6% das suas receitas com logística; a construção civil, onde a infraestrutura está inserida, 20,9%; e os bens de capital, o absurdo de 22,7%.
Para recuperar o atraso, o Brasil teria de investir 5,5% do PIB ao ano até 2030, segundo estudo da FIESP. O investimento histórico é de apenas 2,0% do PIB. Ou seja: seria necessário aumentar em 175% os investimentos em infraestrutura em relação ao PIB. Um desafio brutal — que exige ferramentas adequadas e eficientes.


A dimensão do problema é medida pelo Plano CNT de Transporte e Logística 2026: R$ 2,03 trilhões em investimentos para viabilizar 2.837 projetos prioritários — 2.509 de integração nacional e 328 de mobilidade urbana, abrangendo rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos e transporte público, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT). O montante equivale a cerca de 16% do PIB de 2025.
Para se ter ideia da distância: o investimento federal em transporte em 2025 foi de apenas R$ 16,67 bilhões — 0,15% do PIB (CNT).
Diante de um déficit dessa magnitude, o investimento privado por meio de concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs) deixa de ser alternativa e torna-se necessidade estrutural. É nesse contexto que o Canal 3P monitora o pipeline nacional de projetos e conecta soluções tecnológicas às maiores oportunidades de infraestrutura do país
